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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

De si, consigo

Estendeu a mão às escuras, buscando do lado direito da cama, dentro do primeiro compartimento do pequena gaveteiro embaixo da mesa de estudos, o objeto tão conhecido, longo, rosa chiclete - convenientemente - que funcionava a baterias AA.
O ritual antes de dormir a exauria o suficiente, era reconfortante poder dar prazer a si mesmo, como um passo da rotina dos cuidados pessoais diários, tal como usar o exfoliante - leve, para uso diário em peles sensíveis - em movimentos estritamente circulares: lateral do nariz, testa, entre as sobrancelhas, queixo e bochechas.
Aliás, defendia ferrenhamente a prática, como um ato saudável e libertador, tal como suco verde pela manhã, 10 mil passos diários e implementação de ciclofaixas em perímetro urbano.
Conhecia minuciosamente o que lhe aprouveria melhor, a vestimenta adequada ou sua ausência, o relevo do terreno,  e o tempo - esse que ousaria ser o elemento mais importante : a consistência e intervalo dos movimentos e pressões a realizar para que lhe esticassem os pés, trouxesse o rubor ao rosto a as gotículas de suor se acumulassem na raiz dos cabelos irremediavelmente embaraçados e marcados pelo solta-e-prende intermitente das variações de temperatura diárias.
Mas havia algo ali, e, veja bem, não ago A MAIS como um novo pensamento, emoção ou tédio pela repetição que eventualmente a fariam descobrir novas "técnicas"...

Havia... um
                                                                  N   A   D  A

         Um nada bem grande, quase palpável, uma barreira física intransponível entre ela, e seu corpo.


Com o abajou rosa aceso às pressas segundos antes de se sentir estúpida - parada na cama com as pernas ginecologicamente dispostas para o auto-exame - em busca de alguma prova física daquele bloqueio, aquela barreira de dormência amortecimento inexpressão que lhe tinha negado seu único domínio

de si

Quando fora aquela desconexão de si consigo?
Quando foi o exato momento que passara a precisar daquela segurança de planos e gato derrubando as plantas de um jardim que parecia bastante sólido em sua imaginação fértil?

Parecia....

Era como se tivesse aberto mão de seu domínio sobre si para abrir espaço para quele braço pesado sob o qual transpirava em noites de calor, o mesmo que a impedia de pular sobressaltada na cama de seus pesadelos.

E era como se houvesse, portanto, áreas; quinhões; domínios; ou quotas daquele corpo tão sua propriedade - agora nem tanto - que não quisesse reclamar.
E por mais que houvesse aspectos inúmeros de si que recordava saudosamente, não havia qualquer vestígio de "núcleo" autêntico de si que pudesse restaurar uma vez removidas as influências externas.

Influências externas que tinham nome e rosto e voz e cheiro, e já eram todo seu eu, e mesmo que apenas anexas fossem, nenhuma experiência précia era relevante ou nobre ou sequer agradável o suficiente para que a encorajassem a tal mutilação de partes que lhe eram tão queridas agora.

Deste modo, retornar à antiga forma por completo era pior do que os fragmentos de si que tinha, de si, consigo.

E obter a satisfação completa daquele objeto inanimado e plástico pelos mesmos caminhos antes circulados circulares pela língua úmida, ainda que forasteira, ainda que desritmada, ainda que interrompida pela respiração... ou lhe faziam falta os dedos fincados na lateral externa de suas coxas trêmulas...
             ...mas talvez fosse só... aquele ângulo da curvatura das sobrancelhas escuras, aquela linha que descia numa curva suave até o limite externo do côncavo das pálpebras dos olhos cerrados... rumo à base dos cílios longos... às vezes apertados na contração facial facial de esforço que admirava enquanto se curvava.. buscando alcançar com as mãos os cabelos revoltos gotejando suor na testa.
Mas, dessa vez, não estariam mais ao seu alcance, tornando aquilo mais uma parte do domínio de si cujo domínio não podia exercer sozinha..

Sob pena de regredir ao renunciar àquela nova forma de autogoverno, compartilhando a si mesma, decidiu abandonar aquele território, pois havia partes de sim consigo, que melhor do que se reclamadas como suas, estariam como terra de ninguém.



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Reflexos de um mundo nesse chão de tacos

Era isso, enlouquecera, pensei. Quando fora? Não sabia, só estava lá, na rua errada, atrasada, sonolenta e confusa, e não fazia ideia de como parara ali, sozinha nessa multidão empoeirada tentando recuperar a memória das últimas horas e caber na multidão cronometrada vetorial e atravessar a rua atrás dos ponteiros do relógio em cujas horas tropeçara e caíra nesse limbo das miríades de olhos que me parecem todos verdes.


Quanto tempo observando o alto do prédio e a deterioração desse bairro pobre, dessa língua estrangeira que todos falam, e eu não entendo o que dizem de suas dores, e das minhas, e das tuas e de todos que são esse ninguém apocalíptico.
Dessas luzes amareladas, reflexos de um mundo nesse chão de tacos, dessa casa que cheira a madeira e a flores velhas - essa minha natureza morta pós surrealismo que expressei, tão caótico, que me prendi nas minhas próprias virgulas e reticências do prólogo da minha marcha fúnebre
Na calçada, vômito seco, a dor de algum ébrio coalhada no chão indigente, talvez tivesse vertido lágrimas - públicas - para tantos outros expectadores cegos e surdos, indiferentes a essa mesma loucura que impregna com nicotina nessas cortinas.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Chega de falar dos outros.

Falarei de nós! Julgo-nos loucas! Antes mesmo de sermos ou profanas, ou intrínsecas, ou orgânicas pelas mesas de bares... Mas ainda sim, amo-nos. De um jeito profano, intrínseco e orgânico. Mesmo que isso irrite outros tantos. Ríamos sempre de nós, de nossas loucuras, de nossos pecados, de nossas caras-de-pau. E é disso que me orgulho, porque nunca deixamos de ser nós mesmas. Nunca deixamos de ser mulheres o suficiente para usar saia, nem homem o suficiente para matarmos inúmeros maços de cigarro regados a inúmeras garrafas de cerveja. A partir disso não me restam incertezas... Sei que foi de longe um dos melhores anos de minha vida. Quando do bar, extraíamos poesia. Quando de nós, extraíamos vida. Se vivo hoje? Já não sei, já não quero saber. Porque vivi profanamente, intrinsecamente, organicamente tudo o que elas tiveram a me oferecer. E hoje, passado já um tempo dessa nossa deliciosa realidade, onde a maior preocupação era o vestibular (risos), ofereço-lhes minhas palavras. Porque é o que tenho de mais valioso. Por isso acho digno um clichê: Saudades, amo-nos.

domingo, 18 de julho de 2010

CRIAÇÃO É FUGA

criação (escrita) sempre veio em desespero ou desilusão.
a realidade é maleável e flexível, completamente distorcida por maestros de cada eskina. as delimitações são territorializações arbritrárias, onde as linhas de fuga são previsíveis, feito imãs. a criação só é instantaneísta se destruída. o único sentido é a gestão. o fluxo de idéias só é verdadeiro quando metralhado, talhado sem reboco, brandinficado. os conceitos válidos são aqueles instantedefinidos, de vida curta, surta. lógica morre a cada segundo e só assim se pode continuar vivendo. ponto fixo é medo, paz sem voz - e o que seria dessa se não sobre ou justaposta por outra e mais outra? a aglomeração agonia e desespera, série de encaixes em circulação alucinada e propriamente governada. subjetividade é esquizofrenia, squash, palidez convulsa. objetividade é escárnio. a velocidade das idéias ultrapassa o trem na penúltima estação - liberdade é destruição. decadência é luxo e o valor, trans-sexual. solidão é lava, que cobre tudo, amargura em minha boca, sorri seus dentes de chumbo. solidão palavra, cravada no coração, designa omundo no compasso da desilusão. ser é estar. convicção é ignorância e a coerência é hipócrita e fanática. e todos dopados... a mais louca agressão é frágil. a única convergência é a Bondage. identidade não existe, só existe familiaridade, porque o mundo é egoísta e idólatra. o mundo é um moinho movido a gás lacrimogênio. e profeta é o demente com seu sorriso escrotal. estado de espírito é tirânico. o justo é a vaidade que foi vendida a $15,90 num leilão de magos. gaveta é fraude - é sombra projetada da caverna em NEON. status é estado e tem estado tão podre que nem se degenera, mas fede frenéticamente e é feito de concreto e aço. o orgânico é epifânico. o senhor da véspera é o demônio do dia seguinte. e quem disser o contrário será preso e estrangulado. a criação, desde o falso e ilusório momento do princípio, só está para ser odiada, destruir e matar. espelho convexo: teoria é incapacidade, escrita é impotência, mijo é vitória sem linha de chegada. metáfora é prosopopéia, que nem existe mais depois que humanidade acabou. passado é troféu, prosa é desordenada, só assim seria poesia. Imagem não existe, ela também é e se faz indissociável. Sartre era jardineiro e não botânico. conhecimento é pretensão. sem vermelho nunca haverá cinza, a não ser no aborto pós-natal. palanque é uma caixa de ovos verde-limão (que, por sinal, é a cor mais desprezível, na maioria das vezes).

meu cadarço me enforca pelos tornozelos.
mas antes eu os usava avulsamente, para prender meus dois pés juntos e assim viver pulando, a instabilidade era minha falsa liberdade com o rabo no cu. hoje eu piso na pista de gelo. cor-cru.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Existo! És isto?

Sou nada?

Sou projeto, traço e cor da tua idéia?

E se tua idéia é tua mente

Vazia?

Sou entao tudo?

Plena onde o todo é vácuo!

E qual é o todo?

Cheio de todo vazio?

É nada?

Se nada é o todo

Então sou todo

Ainda que esse todo seja inócuo

.

Não sou personagem

Nao sou tipo

Não posso ser coisa

Nem rascunho

Ou protótipo

.

Incorpórea, impalpável?

E se há, ainda, um ser que não o seja

Me diga quem

Ainda existe sem que haja quem o veja!

.

Todas facetas de ser

Só o são com devido destinatário

Eu acadêmico é graduação

Eu empregado é salário

Eu profissional é portfólio

Patrão é pagamento

Funcionário/produção

Defunto é espólio

Homem, mulher, negro, branco e tudo é estatística

.

Gente, só existe a partir de uma interpretação finalística

E ainda que não haja razão para teleologia

Se fazem existir, esses alter-egos

Contróem a desejada personalidade

Fotos textos música câmera luz ação!

Dessa virtual orgia

E seu real eu existe na verdade?

Quem dirá que não?

.

TU!

Egrégio julgador do certo!

Diz que todo meu eu não há!

Que me criou e pode me limitar

Sou um aborto da tua esquisofrenia?

Nasci fruto da tua entorpecência

E agora morro, vítima da tua letargia?

. 

Mas... se me diz, a mim se dirige

Então existo pra satisfazer teu desejo

De dar o veredicto pelo menos em um aspecto

Da tua vida insípida que pensa que o roteiro redige

E eu nada mais sou do que um prospecto

A caricatura do ensejo

De procrastinar a abalroada

da realidade em seu mais vil aspecto

.

E se ainda reiterar toda argumentação

Aduzindo minha inexistência

Me rasgo e te exponho as entranhas,

sangue pulsa derrama e tinge

O cenário digno de uma produção tarantinesca

.

Caso insista na absurda alegação

De que a ausência de corpo me restrige

E nem mesmo minha ferida fatal te convença

De que há minha real concepção e consciência

.

Te envolvo nos braços gelados e rígidos

e afogo tuas interrogações em coágulos

E te enojas

Regurgitas

E sabes que sou teu tumor psicológico

Palpável em cada um de teus nódulos

E antes que minha ausência te aflijas

.

Fica o a ferida purulenta dor e cheiro...

Sente o cheiro?

É da tua consciência podre

Porque me contém

E se cheira e se contamina com a putrefação de todos os fungos e pústulas

Se adoece e se cai

Existe

E se me contém então

Existo

.

E se tentas me convencer que não

Te nego

E tenho negado

Mas não é por negar-te que tenha te desprezado

Pois quanto mais renego

Te vejo a tentar me convencer mais empenhado

E tem teu pensamento me nutrido

E teus nãos me construído

.

Sou tua sombra arquetípica

Teu não dever ser

Dessa tua alma paralítica

Toda teoria e imaginação

Que pensas que te dá poder

Para fazer a dicotomia

Entre o que há ou não

De acordo com tua ética irrisória

.

Sou tua crítica e teu sermão

Sobre os erros de todos os tempos

Sou tua anti-heroína

Tua alegoria do proibido sempre à mão

Para ilustrar tua hipocrisia

De como todos estão errados ao buscar a perfeição

.

E sob a égide de tuas morais e lamentos

Esconde teu ego megalomaníaco

Que pensa que ao apontar tantos outros tormentos

Dessa geração socialmente hipocondríaca

Disfarça tua própria auto-afirmação

.

Sou quem te refresca a memória

No meio da rotininha patética

Te todas as tintas, imagens, photoshop e glória

De todas tuas criações apáticas

.

Como todos outros tantos,

Todo carne sangue e suor,

Buscas a perfeição inatingível

E a mim, sombra que sou,

Cabe sempre o pior.

.

Ainda que não vá te reduzir a prantos

Hei de te proclamar a sentença temível

Sendo eu nada mais do inferno que aponta

Em todos que buscam amor nesse mundo terrível

Sou nada menos que teu avesso

O bastidor de cada fim e cada começo

.

E sendo tudo que teme

Tornar-se o desprezo que projetaste

Digo, és tu como eu, insisto,

Eu existo,

E tu, és isto?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Eu gosto dessa arte...


Que interpreto como Dadaísta nesse mundo de absurdos. Penso e finjo que é pura arte essas incoerências que delineiam o dia-a-dia de quem pensa em poesia. E fico assim: ao léu. Esperando mais um sopro que vem do fundo da alma, implorando por mais um pouco de fé. Não é possível, é fé que me falta! Porque a arte eu já respiro, a música eu já sinto e o mundo eu só fico a observar. Deve mesmo faltar fé. Pra poder cegar e acreditar que é tudo assim tão simples. E eu acho que é isso mesmo que acontece. Basta eu querer entender, que volto a precisar de correção pra essa minha miopia moral. E não fosse suficiente essas ironias e toda a falta de sentido, ainda tenho que ouvir falar em multa...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Começa a rotina

Acaba a poesia

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Feliz ano novo!

E eu sozinha...


Com gosto de um vinho que eu não tomei.
Cheirando a um cigarro que não fumei.
Com gosto de um beijo, que eu deixei...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

corpos
mãos
copos
nãos
taças
vinhos
raças
ninhos
lutas
amores
luvas
horrores




Deixe que se perca
Deixe que morra
Deixe que apodreça

Toda podridão vira adubo

Deixe que se esqueça
Deixe que envelheça
Deixe que adube

Todo adubo vira flor

Deixe que sinta amor
Deixe que sinta dor
Só não deixe que lamente

A flor que lamenta, a alma não alimenta

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Tentava pensar.
De poético não vinha nada.
Era só palavrão, obscenidade.
Também, esperar mais o que?
Era um orgasmo. Um regozijo inteiramente corporal.
Era suor, cabelo e corpo nu.
O calor do corpo confundia-se com o verão.
O hálito morno de quem acabara de gozar.
O sorriso meia boca e a respiração arfante.
Mas dessa vez não queria nem água, nem cigarro.
Buscava o mundo para relatar a breve experiência.
Ao mesmo tempo que comum, única.
Estava só. Sem alguém, nem vídeo, nem foto.
Mente e corpo. Juntos, e sós.
Na sensação mais intensa e efêmera possível.
A também mais ampla e contraditória que pôde pensar no momento.
As palavras se perdiam, no corpo que ainda espamava de tesão.
Quase poético.
Era mesmo orgasmático.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Porra

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Beware! Criminal!

Poder. O mundo tem se organizado em torno de focos de poder, no auge da influência hobbesiana e na observação dos últimos tempos tenho acreditado com uma fé quase religiosa no contrato social utilitarista. E, na definição de pós modernidade como velocidade, imediatismo, publicidade, consumo exacerbado e meios de comunicação de massa, quanto mais, melhor, o que temos é um retorno da vintage e descolada lei da selva, e agora, é comer ou ser comido.
E a internet? O ÁPICE de todas as concepções modernas, pode-se realizar trocas de informações, transações bancárias, comunicação entre seus entes queridos, “MSN LIVE MESSENGER!” “ Converse ao vivo pela webcam!”, “Ache seu par perfeito num click ”, “Hello, I’m Samantha, 22 years old, looking for a boyfriend!” O mundo é aqui, é agora, é em toda parte, e orkut, e internet e telefone e televisão foram desviados do seu propósito há muito tempo. Será que a função social dada de início para convencer as pobres donas de casa com seus vestidos floridos a comprar o consórcio do primeiro telefone sequer existiu? Propaganda, marketing e photoshop! E o que temos são essas multidões de solitários que choram de emoção ao receber uma propaganda mala direta com seu próprio nome, e MEU DEUS! No dia do seu aniversário! Desnecessário mencionar que o remetente pertence a companhia de seguros do carro.
Orkut, por mais que esteja ultrapassado, porque agora o hype é ter twitter, no seu surgimento foi o meio de comunicação melhor mascarado de bom moço, veja bem, havia a necessidade de CONVITE para entrar nessa rede, algo que obter rapidamente com grande número de contatos em seu profile era um indicador social mais confiável do que os do IBGE para avaliar o seu coeficiente pop.
Então todos os meios para unificar os usuários do planeta nessa grande família incestuosa não podem mais ser chamados de rede, creio eu, são uma cadeia, cadeia sim, cada um em sua solitária com seu computador/celular/telefone/pager/blackberry/i-phone/diabo-a-quatro devidamente conectados às suas redes wireless, e nessas cadeias substituem-se os almoços de domingo pelo delivery, o cinema de final de tarde é youtube, jornal é blog, declaração de amor é testimonial, convicção filosófica é community, compras é amazon.com, conversa entre amigos é chat, e mandar notícias, só via scrap, sms já não é mais tão hype assim.
E a vibe super in se expande, cresce, infla e transborda até que todos esse meios de isolamento/conexão se reproduzam como hamsters desenfreados atingindo até os meios mais improváveis, afinal, se é possível cometer ilicitudes on-line porque se dar ao trabalho de manter o charme dos gangsters dos anos 50 ou dos cowboys fora-da-lei dos antigos westerns?
A indumentária, os trejeitos, o sotaque e todas as particularidades do banditismo são facilmente simulados, bastam algumas fotos (google it!), um profile bem escrito (Ou não! E muitas vezes não mesmo.) e pronto! Todas as idéias mais estaparfúrdias, propostas mais indecentes, vícios mais vis, fetiches mais repugnantes e crimes violentos estão devidamente protegidos pelos privacity terms, yes, I accept e tudo está devidamente legitimado. Todos os lobos com profile de cordeiro imunes ao risco do flagrante, incitados pelo fácil acesso a esses meios de comunicação e protegidos pela idolatria ao lucro das multinacionais e seus advertisements by google.
Ainda, por mais que seja incisiva a prática do Ministério Público, e do Sistema Judiciário no combate a falsidade ideológica, homofobia, racismo, pedofilia, propaganda eleitoral indevida, e todas as CPI’s e Ações Civis Públicas e condenações, como combater juridicamente uma crise ética e moral?
Bom senso talvez, bom senso em valorar corretamente as prioridades, quebra de contrato de sigilo com um pedófilo ou conivência com sua prática? Seria preciso curso superior ou estudo aprofundado dos princípios gerais do Direito para responder tal indagação? Se, não obstante as convicções impulsionadas pela ética, que bastem aí, as determinações legais quanto a prestação de um serviço, em que a qualidade do serviço em questão é diretamente proporcional a adequação do serviço prestado quanto ao serviço vendido e proposto.
Houve um tempo em que pessoas possuíam e-mails, profiles, facebooks, e agora tudo que resta é personagem, num mundo onde se come, bebe, dorme, fala, fornica, comunica, trabalha, mata, compra, vende, troca, viaja, cresce, cria a prole, e vive e reproduz e morre em frente a uma tela, seja esta de computador, televisão, celular, palm top ou maldito I-phone, um mundo onde as crianças assistem em média a 6horas de televisão (rede globo ou youtube) por dia, e pensam que vida é The Sims, e vão engolir, digerir e regurgitar toda aquela informação enfiada goela abaixo e crescerão incapazes de encarar olho-a-olho alguém que não seja o apresentador do telejornal.
Tenho uma perspectiva de um mundo solitário, onde todos usarão óculos escuros (não esqueçam, a vibe agora é ser vintage), para não encarar o próximo, e janelas de carros com insul film muito bem fechadas com seu ar condicionado, e os ear-phones vão impedir que se ouçam os gritos dos desesperados, e a grande profecia será a cotação da Nasdaq transmitida ao vivo, ao morto, tudo uma questão de ponto de vista.
E como tempo ainda será dinheiro, nesse tempo quem puder pagar mais por mais um minuto de exibição em horário nobre, poderá alimentar mais e mais essas mentes juvenis, e o próximo tirano será o dono de uma grande rede de comunicação, e todos os cãezinhos adestrados o seguirão fielmente em seus planos e ideologias, Oh! Tenho eu uma leve sensação de dèja vu?
E se todas as relações serão passíveis de ser contidas num database, é compreensível que até as mais patológicas sócio ou psicopatias tenham suas práticas por esses meios, seremos profissionais num mundo em que seremos indispensáveis, onde ninguém falará sem um representante legal nas massas conurbadas de ternos pretos das metrópoles para onde todos vão morrer para ganhar a vida.
E no judiciário, que ainda guarda na lembrança etimológica da palavra a idolatrada Justiça, o positivismo ressurgirá. E nesse sistema, brigas de casal, desentendimento entre colegas de trabalho, divergências ideológicas, e quem sabe até uma trombada que você deu sem querer naquela velhinha na fila do supermercado será resolvido no âmbito legal.
E os homens serão incapazes de conversar, e o advento da era da comunicação será uma era de surdos, mudos e cegos.
Porque agora até a falta de ética.com tem versão brasileira: Hebert Richards!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

náusea





me ponho a vomitar e nada tenho
nem palavra, nem pensamento
da náusea ao sofrimento

balbucio o cuspe do que resta em mim
da dor dilacerante que me corta o estômago
quase grito
mas mal pronuncio
profano

nem estômago tenho mais pra suportar tal agressão
é mais que física...
agridem minha alma, destroem meu humor, humilham minha dor
e do resto de mim, é o que resta.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

crise existencial

nada comedida
extremamente e
externamente sem limites
num mundo atemporal
e desprovido da tão formosa imensidão azul

num sôfrego apego
irremediavelmente proibido
mas extremamente necessário
regado de ilusões baseadas nos próprios desejos
e totalmente fora de controle se segue a imaginação

a fonte que deve secar sem querer
a raiz que desprende buscando outras terras
talvez não terras desconhecidas
e nem tão distantes
apenas que ofereçam o adubo necessário para um novo florescer
em alguma outra estação

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

BURN MOTHERFUCKER




Queimaram tudo! Sufoquei com a população revoltada,
toda equipada com lanças, espadas, armas...
Tolos: Queimaram tudo e continuaram revoltados...
Milhares de pessoas. Milhares de motivos.

Não restou nada.
Nem alma, palavra, grito, ou socorro.

Queimaram as mágoas, as revoltas, os amores...
Jogaram seus coquetéis Molotov.
Armas, espadas, lanças.

Lanço-me mesmo ao alto.
Como sempre... Como nunca...

Já me cansei das queimadas, já me cansei dos coquetéis.
Resta-me dançar e bailar um baile silencioso, proibido.
Proibição obscena, oculta, saborosa.
Sinto-me jovem, rompendo condutas, costumes, imposições, regras.
E até mesmo sonhos.

Rompo tudo, corrompo até a alma. E sigo sem rumo, sem fumo.

domingo, 15 de novembro de 2009

tentando estabelecer a ponte

não nos deixe

cair em tentação
além!

NÃO PASSARÃO!!
junta fragmentária de pensamentos unidos à beira do desespero de dizer onde não há ouvidos nem bocas caladas apenas olhos famintos como quem ronca e não espera por nada senão pelo seguinte e sucessor que na espera não há depois alguma a não ser a própria busca incessante que nos leva aquém... e não além. os dizeres não ditos se amortecem para depois tomarem formas diferentes dissonantes desconsertantes desfalecidas à beira de uma convulsão vocabulímica de palavras à espreita do abismo que nos abraça no calor quente de uma facção de críticas julgamentos façanhas aranhas atônitas esperando o consentimento e tornando-se a si. o caralho! fui dezenove antes desse e a cada minuto meu ser se renova e torna-se mais de si até inchar explodir espalhar por aí a sua própria forma inicial e não evoluída. o caralho! quer-se qualquer sentimento a emanar livremente pairar sobre voar a visão turva esbranquiçada daqueles que aos poucos perdem a vista mas ampliam a visão para além de sua própria façanha experimental pretensiosa superior. o caralho! édens álcoois vícios analgezia acefalia narcolepsia paralisia do sono entorpecido... onde estou senão na própria nuvem? de marxismo homérico construído no limbo da realidade performática embromática linfática do orgânico então perdido em tum em tics em tacs em lápses. o caralho! a repetir todas as portas fechaduras cadeados asfaltos muros de berlins de amsterdã de são fransisco de istambul de piraporinha. divididos impossibilitados adversos roídos de infernal curiosidade fome desejo pulsação firme roer de unhas ranger de dentes de lentes de mundanças andanças falanças esperanças. é diferente:
o subjetivo não faz sentido se não trazido ao sub-objetivo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Vacacio legis

esfera erotica da subjetividade, orgasmática multi interpretação e feromônicas entrelinhas multiperformática dialético-lexical adimensional ALPHA adimencional amórfica avessa à dicotomia humano-animal PARADOXAL IDIOSSINCRÁTICA INERENTE AO SER PECAMINOSO DE OUTRORA!!

profano instrínseco orgânico.. visceral canibal na autofagia espiralada tendente ao infinito profundo e inóspito híbrido âmago à flor da inerência Data Venia, perspicaz, regenerativa mediocrática midiática bluetooth imperialista pós-ocidental do homem moderno de MEU DEUS!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ame-me
Nem que seja em fragmentos
Mas ame-me
Eu só preciso dessa auto-afirmação

Às vezes me odeie
Mas não me diga...
"O que os olhos não vêem o coração não sente" Ham?

Essas incertezas, esse quase de Veríssimo,
ME AGONIZAM

não sou quadro, retrato, pincel ou pintor.

Só tenho alma e escrevo
Meio desesperada para não perder as palavras,
À meia luz por temer a claridade repentina que pode me cegar.

Mas por fim
AME-ME
Em fragmentos mesmo.
Sou só uma parte.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

carne fria digita digita digita

sinta a frieza da escrita computadorizada
cadê o calor do papel, da caneta?

ahhhhhhh poetisa? poeta?
de meia tigela

finge que escreve, finge que compõe...
malemal compõe a própria vida.
fica aí se enrolando em um discurso gasto...
blablabla sou melhor que você blablabla
sempre se vangloriando...

váááá pro senado aprovar alguma lei que diga que tenho que obedecer aos teus comandos...
tenho cara de ser do exército? não vou volver à direita só porque você berra e cospe em mim.

perdigotos. perdidos mesmo. como tudo que remete à você.
idéias desordenadas.

por que se pusera a escrever?
toma teu rumo, e vá para a cama...

pois é criança, já passou das dez.