CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Solo Consolo




Não queria fazer arte
Só daquilo que li
Não queria fazer parte
Só disso que vi.

Queria é fazer versos
Do que apenas senti
Queria é que os per versos
Omitidos não fossem aqui.

Queria ao menos poder pensar
Sem a ânsia do rimar
Poder apenas contemplar
Sem pensar no amar.

Ah! Que bom seria
Ao derramar versos
Livrar também
Meu pranto.

Mas
No lugar disto
Faz-se tão bem
Apenas mais um manto.

E preso continuo

A meu delimitado
canto.


segunda-feira, 17 de novembro de 2008


É s T É R i l
que nada! RiO .

Falatório

É sempre a mesma coisa...
Mesmo medo.

Mesmo barulho que me agonia,
que me tira a segurança,
que me faz implorar para a chave vir logo a mão
e eu conseguir abrir a porta.

É uma prisão perpétua dentro de mim mesma.
Mas eu abro as portas, e vou encarando cada dia,
cada passo,
cada olhar,
cada palavra,
cada sorriso.

Como se tudo fosse incrível.
Como se tudo fosse possível.

Como se não fosse difícil demais de aguentar isso...

Como se todo mundo achasse ridiculamente fácil.
Como se todo mundo soubesse o que é certo ou errado.

Como se as partes por aí espalhadas do meu ser
pudessem ser recolhidas por um único outro ser,
que se diz tão importante,
quando eu sou apenas uma amante.

sábado, 15 de novembro de 2008

Capítulo II


Se eu puder me perder nesses tons e em açúcar e temperos.
E Cristo não tem nada a ver com isso.
É o lado negro de quem dança nu.

Me deixa reviver a loucura dos meus antepassados.
Me deixa sentir o fervor do ontem e do hoje para criar o momento.
Me deixa eloquente,
Indolente,
Sórdido

É todo o meu ser que quer falar
tomar-me
Sonhar, inovar toda a minha
vida.
Deixa o alcool dissolver tudo o que me prende,
Volátil, sublima, condensa minhas idéias, meu âmago
Sem amarras, vou sentir o chão passar sobre mim e eu o atravesso num niilismo ilógico
do meu inconsciente
Que explode
Violentamente, num curto-circuito psicológico
Que aquece as entranhas num gozo
Hemorrágico
Eu posso além do sentir, posso ver entre tons.
Estão em mim e transparecem no meu rosto, iluminam meus pés, e comigo caminham
Num estado Floyd
E por tantas vezes solitário
Por tantas vezes só meu.

É compartilhado amado e desprezado
Numa fusão de emoções e sentimentos e sensações
Porém...
Tudo passa pela manhã
Sem orvalho e a luz faz toda nostalgia fugir por debaixo do travesseiro

Imenso labirinto o som condensa
rasga minha pele,
Cria unhas e dedos e arranha e queima meu corpo
Sob o silêncio corrompe neste gradual som tinto
me desce a garganta
Me alimenta por dentro.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Felicidade triste, felicidade contida, infelicidade



Eles se escondem por debaixo dessa pele
Se escondem por debaixo dessa pele.
Por isso que eu gosto de osso.

Osso!
Que sustenta, que é rude, grosseiro.
Ossada imponente, impotente, impotente.

Ah...
Somos ossos, restos, caveiras, mortos, podres,
largados, estilhaçados, enterrados, quebradiços,
mas não tão frágeis quanto parecemos.

Somos estruturas milimetricamente encaixadas,
mas recheadas de tanto pudor quanto é possível caber.

Pudor, e dor, dor, dor.
DÓI!
E machuca, e fere, e sangra, e goteja,
é sangue, é osso, é dor, é olho.

É olho. Que vê, mas é míope.
É míope mas quer, ainda assim,
os ossos que caem
e apodrecem em baixo da terra,
em covas,
em túmulos,
em santuários.

São eternos, são otários,
Estão a sete palmos da onde eu piso.

Inferior, interior. Tudo dentro, tudo fora.
A parte que não coube em mim, e agora chora.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

com pressão larga




Eu adoro meu carro. Ele é tudo para mim. A gente anda por aí, juntos, eu e ele somente. Nosso clima é ameno, tem ar condicionado. Nosso aroma é agradável, tem cheiro de carro novo. Eu o mando ao lava-rápido toda semana, ele sempre está cheiroso. Tem DVD, tem vidro e câmbio automático, e tem GPS também, super útil nesses dias de hoje. Vidro filmado de escuro tem que ter, né? Você sabe como é. Há dias meu vidro se quebrou. Quebrou-se em mil. Alguma pedra veio não sei de onde, não sei porque, deve ter sido um desses marginaizinhos que andam por aí a vadiar, quebrando vidros de carro por hobbie.


E agora a luz mudou, agora o jeito mudou, as cores, agora aquele branco me fatigou, fatiou, aquele lá, entrou em mim, me atravessou, vulto elétrico trêmulo e oscilante, em escuridão acendeu, dilatou, expandiu, contraiu e relaxou, transpirou. Finalmente respirou. Agora respiro outro ar. Desde que me quebraram o vidro, o ar se tornou denso. Não há mais proteção, não há mais detenção, exposto estou. Minha fôrma se rompeu, hei de espalhar, escorrer por aí, pulverizar, nascer, atiçar, aguçar, fazer, gritar, uivar, fazer caminhos, trilhas (d)e trilhos. Agora posso sair, sou livre, quebraram meus vidros, malditos marginais, como ainda não tinha provado esse cheiro, esse gosto, esse pó macioso asperizando em minha face, em minha alma, em minha carne, como? Como é desesperador. Como toma conta, invade, grita, cresce, aponta caminhos, bifurcações, atalhos, sinais, símbolos, coxias e cortinas, e asflato quente queimando os pés.


Eu ando tanto
de pés descalços
que quando piso
em asflato quente
já nem sinto mais
aquela ardência anterior.

Criou-se casca, cápsula.

Cegou-lhe a vista.
Taparam-lhe os ouvidos.
Sedou-lhe a boca a fita metalizada.
Prenderam-lhe os polegares com mesma fita.
Já não arde mais.


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Caminho


Procura, sorri, fala, convida, agrada, troca, acompanha, beija, amassa, transa, treme, geme, boceja, dorme. Rejeita, esquece, corta. Caminha. Cospe, engole, sua, chora, escreve, cresce, questiona, inova, cria, sente, aquece, alegra. Mira, escuta, compreende, comunica, escolhe, expressa, constrói. Perde, insulta, destrói, quebra, queima, remove, pergunta. Afaga, esfria. Caminha. Explode, sangra, esconde, pulsa, confia, lembra, transmite, pensa, raciocina, indaga. Supõe, rotula, sonha, aspira, deseja, consome, abre, corre, corre, corre. Manipula, liberta, atua, percorre, senta, acomoda, contraria. Mija, ejacula,espirra, tosse, adoece. Mede, calcula, atira, mata, disputa, segrega, limita. Condena, entrelaça, entrega, admira, mente. Articula, agita, poetisa, cansa. Inventa, culpa, pinta, brinca, castiga, bate, gargalha, silencia. Adora, transpira, vomita, defeca, apela. Caminha. Complica, levanta, briga, acaricia, salva, abraça. Supera, bebe, pega, pisa, encosta, move, busca. Confirma, contorce, espera. Gosta, alimenta, ama, pontua, suspira, canta, busca. Caminha e morre. Cala e fede.